Adaptação de “Morte e Vida Severina” abrilhanta a segunda noite do Festival de Teatro do Tapajós
Nesta terça-feira (17) o grupo de Teatro Iurupari apresentou “Morte e Vida Amazônida” na segunda noite de espetáculos do Festival de Teatro do Tapajós, uma adaptação livre de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.
A peça trouxe ao palco as lutas sociais, as vivências reais e a crítica social presente no clássico, com uma pitada de regionalização, transformando os Severinos em Raimundos, e os solos que nordestinos deram lugar a lugares da nossa região como o planalto Santareno, Monte Alegre e Prainha.
Com teatro físico marcante, poucos objetos que se transformam em cena, e uma trilha sonora que mistura Chico Buarque, Wilson Fonseca, Caetano Veloso e Barbatuques, o espetáculo é uma experiência sensorial completa. Cada movimento é uma verdadeira “partitura do palco”. Cada cena é um convite à reflexão sobre a realidade de muitos, e que por diversas vezes são invisibilizados na sociedade.
Leandro Cazula, diretor do espetáculo reforçou que o conjunto de ideias fez com que a peça ganhasse essa nova forma.
“O João Cabral de Melo Neto de melo neto traz pra nós uma inspiração lá do nordeste para a gente colocar no contexto amazônico, e a vida desses atores que encenaram hoje, a sua vida sobre a Amazônia potencializou a transformação desse espetáculo para uma realidade local” ressaltou.
Lademe corrêa é professora de história, na rotina das salas de aula Morte e Vida Severina é uma obra que a impacta bastante, dessa vez, assistir ao espetáculo teve um gosto mais especial, foi a primeira vez com a companhia da filha Alice.
“A peça conversa com gente e traz a nossa realidade como a questão da soja que invade a nossa região. Então foi um espetáculo emocionante e emocionado, venham assistir porque vale muito a pena”, finalizou
A importância dessa adaptação toma conta também de quem encena. Andressa Sousa é uma das atrizes, e para ela encenar Morte e Vida Amazônida traz a mensagem de que essa realidade não é exclusiva de povos do nordeste.
“Ver o Teatro de uma forma que contextualiza a gente, mostra uma realizadade que muitas pessoas vivem no cotidiano mas não querem enxergar e trazer isso para o Festival de Teatro do Tapajós, o espetáculo ser selecionado foi uma das melhores situações que nos deixa muito felizes, porque mostra uma situação que é muito bem vivida, onde muitas pessoas passaram vindas da região do Ituqui, do Planalto para Santarém buscar uma vida melhor”, enfatizou a atriz
Nesta quarta (18), a autocrítica da lugar ao sorriso que educa. O “Tu Não! Tus” traz o riso que educa. Uma comédia que aborda diversidade familiar e respeito às diferenças de gênero de forma leve, educativa e contagiante. Sempre a partir das 20h no Teatro Wilson Fonseca da Ufopa Campus Rondon.
“Eu tô muito feliz com o resultado, sucesso de público e crítica nessa segunda noite, nesta quarta uma roda de conversa sobre este espetáculo lá no Sesc, que não deixa de ser uma atividade normativa também, e a noite esse espetáculo que é uma comédia. O espetáculo segue até dia 22 de forma gratuita para a população.” Reforçou Elder Aguiar, coordenador da programação.
O II Festival de Teatro do Tapajós conta com patrocínio do Ministério da Cultura e da Equatorial Energia Pará, por meio da Lei Rouanet.
Além de poder acompanhar presencialmente os espetáculos do segundo FesTeatro serão transmitidos no canal do youtube do Grupo Olho D’água com tradução em libras e também posteriormente serão disponibilizadas em audiodescrição.
SERVIÇO:
Evento: II Festival de Teatro do Tapajós
Data: 16 a 22 de março de 2026
Horário: 20h
Verifique a classificação indicativa.
Entrada: Gratuita
Local: Auditório Wilson Fonseca da Ufopa Campus Rondon, Santarém – PA




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