
A relação entre arte, tecnologia e inteligência artificial foi o ponto de partida da performance audiovisual “Armador”, apresentada na noite desta terça-feira (4), em Santarém, no oeste do Pará. Protagonizado pelo artista paraense Nando Lima, o espetáculo chamou a atenção pela mistura de teatro, música, projeções e recursos digitais, levando o público a construir diferentes interpretações sobre o que via em cena.
Produzido pelo Estúdio Reator, de Belém, o trabalho revisita a figura do “armador” em diferentes momentos da história. A narrativa atravessa passado, presente e futuro até chegar a um cenário em que a inteligência artificial também passa a ocupar esse papel, sem deixar de lado a presença humana como parte da criação artística.
Após a apresentação, Nando Lima falou sobre a experiência de estrear o espetáculo em Santarém e a resposta do público.
“Estrear esse espetáculo aqui, diante dessa plateia, falando sobre a Amazônia e sobre as nossas questões, foi uma experiência incrível. Me parece que as pessoas entenderam a proposta e deram uma boa resposta ao que viram e ouviram.”

Na plateia, a proposta despertou diferentes percepções. O professor da Ufopa, Igor Pereiras, conta que não imaginava o que encontraria quando o espetáculo começou, mas saiu impressionado com a forma como a tecnologia foi incorporada à encenação.
“O uso da inteligência artificial nessa construção foi o que mais chamou a atenção. A forma como o digital e o analógico se encontram fortalece o significado da apresentação. Superou as expectativas.”
O universitário Guilherme Jardel também deixou o teatro com muitas reflexões. “A gente saiu pensando em centenas de coisas. É um espetáculo que mexe com a percepção, com a arte e com as sensações. O próprio artista comentou que também não sabia qual seria a reação do público. Acho que isso tornou a experiência ainda mais interessante.”
Além das apresentações, o festival segue promovendo momentos de troca entre artistas e público. Segundo a coordenação do evento, as atividades formativas têm acompanhado toda a programação desde a abertura.
“Desde o primeiro dia a gente vem realizando atividades formativas. Já tivemos roda de conversa, oficina, desmontagem cênica e performance musical. Nesta quarta-feira, a programação continua com a roda de conversa ‘Dos Saberes da Floresta ao Palco’, sobre a construção do espetáculo Majé. As atividades são gratuitas e a gente recebe todos que queiram participar.” – disse Mourrambert Flexa.



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