“Introdução à Bufonaria Amazônica” apresenta técnicas de comicidade inspiradas na cultura da região

A oficina gratuita “Introdução à Bufonaria Amazônica” reuniu artistas, estudantes e interessados nas artes cênicas nesta quinta-feira (6), no campus Rondon da Ufopa, em Santarém. A atividade integrou a programação formativa do IV Festival Solos do Pará e proporcionou uma vivência sobre a linguagem do bufão a partir de referências e elementos da Amazônia.

Ministrada pela atriz Andréa Flores, da Coletiva Xoxós, a oficina apresentou técnicas de comicidade, improvisação e expressão corporal, estimulando os participantes a utilizarem o humor como ferramenta de criação e reflexão sobre o território onde vivem.

“Trouxemos a linguagem do bufão, que é um tipo de comicidade, com as raízes fincadas no território amazônico. Compartilho minhas experiências de pesquisa do espetáculo ‘mEU pOEMA iMUNDO’, propondo que os participantes vivam uma experiência de entrada nesse campo”, explicou Andréa Flores.

Ao longo da atividade, os participantes experimentaram jogos cênicos e exercícios que exploram o exagero, a crítica social e a construção de personagens inspirados nas vivências amazônicas.

Para o ator Davi Anjos, a oficina despertou um novo olhar sobre a realidade e o processo de criação artística.

“Aprendi, na técnica da bufonaria, a olhar a realidade de onde vivo a partir de um olhar cômico e, ao mesmo tempo, crítico. Essa experiência me deu mais conhecimento sobre o processo de criação cênica e também sobre como me posicionar socialmente”, afirmou.

A oficina também abordou técnicas de jogos cênicos e exercícios de improvisação, mostrando como o humor pode ser um caminho para provocar reflexões sobre a realidade. Para Andréa Flores, a comicidade construída a partir das vivências amazônicas amplia o olhar dos participantes sobre o próprio território e as questões sociais.

“Existe um riso fincado no lugar onde a gente vive, na ancestralidade, no território. O cômico questiona o lugar, o corpo e o comportamento padrão. Também traz questionamentos políticos da realidade social, e na oficina esse debate veio como forma de instigar o participante para a realidade.”

Segundo a coordenação do festival, a proposta da oficina foi ampliar as possibilidades de criação dos participantes a partir da linguagem do bufão e das referências amazônicas.

“A Bufonaria traz essa energia de jogo com a plateia, trazendo a Bufonaria europeia para dar voz às nossas vivências amazônicas e do território. Tudo isso foi importante para entender o processo criativo e oxigenar o festival numa troca de experiências.” – pontuou Morrambert Flexa.

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