
A roda de conversa “Dos Saberes da Floresta ao Palco: a construção do espetáculo Majé” reuniu artistas, estudantes e público em geral na quarta-feira (5), na Sala de Formação Hélcio Amaral, no campus Rondon da Ufopa, em Santarém. A atividade integrou a programação formativa gratuita do IV Festival Solos do Pará e promoveu um diálogo sobre a presença dos saberes ancestrais na criação artística amazônica.
Durante o encontro, o dramaturgo e criador do espetáculo, Alenilson Ribeiro, compartilhou as referências que deram origem à obra, inspirada nos rios, na floresta, nas tradições e nas vivências dos povos amazônicos.
“A roda de conversa traz os cuidados com a ancestralidade, com o sujeito, com a floresta e com aquilo em que acreditamos sobre as encantarias, sempre com respeito ao território. Isso nos dá uma base diferenciada na arte cênica para valorizar o que nos pertence”, explicou.
A atividade também abriu espaço para a troca de experiências entre os participantes, que refletiram sobre memória, identidade, ancestralidade e a força das narrativas da floresta na construção da cena.
Para o estudante de Pedagogia Júlio Cesar Almeida, o encontro proporcionou novos olhares sobre a própria identidade amazônica.

“Estou muito satisfeito por todo o conhecimento que adquiri. Antes achava que o conhecimento das mulheres dos territórios era algo distante de mim, mas, com as conversas que tivemos, me senti pertencente. Sei que isso vai me ajudar a valorizar mais minhas raízes amazônicas e a me desenvolver como profissional”, relatou.
Durante a conversa, Alenilson Ribeiro também apresentou aspectos da construção dramatúrgica do espetáculo e explicou quem são as Majés, mulheres guardiãs de conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações.
“As Majés são mulheres dos territórios que possuem conhecimentos ancestrais e milenares sobre as plantas que curam. São guardiãs do respeito e da conservação dos saberes da floresta, transmitidos pela oralidade e pelas vivências. Toda essa riqueza cultural, presente no espetáculo, mostra o quanto somos potência em fazer arte”, afirmou.



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